29/12/2009

Ñane ñe’ẽ (ñe’ẽpoty) Nosso idioma - Poesia



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Ñane ñe’ẽ (ñe’ẽpoty) Nosso idioma - Poesia

Haihára: Basiliano Caballero Irala - Autor



Ñande sy ha ñande ru
Oñe’ẽ va’ekue ipype,

Ome’ẽ haguã ojoupe

Hekove ha imborayhu.

Nossas mães e nossos pais

Comunicando-se com ele,

Deram-se mutuamente

Sua vida e seu amor.

                                    Tetãguára ohenduka
Mba’éichapa imbarete
Ñane ñe’ẽ porãite
Joayhu ha mba’aporã.

Os conterrâneos fazem ouvir
Como tem força
Nosso belíssimo idioma
Para o amor mútuo e o trabalho

     Jaikuaa ypy hese ae
Yvága marangatu,
Ha hatãite ojetu’u
Hese ñande rekove.
Conhecemos por ele mesmo
As virtudes do Paraíso,
E tão forte se apegou-se
Em nosso caráter.

                                      Oguyguýrõ ñorairõ
Ndaipóri imbojojaha,
Pya’ete ombogue haguã

Py’andýi ha kane’o.

                                 Se espalhar-se a guerra
Não há nada que o iguale,
Para rápido apagar
A comoção e o cansaço.
Mbarete ha tetia’e
Ñande py’áre omyandy,
Ani haguãti ikangy

Ñane retã rekove.
Força e bom-humor

Em nosso ânimo acende,

para que não se debilite

A vida de nosso país.

                                     Tetãguára sapukái
Ichugui henyhẽmba,
Ñande yvýgui opa haguã
kyhyje ha tembiguái.
Os gritos dos compatriotas
Dele estão repletos,
Para extirpar de nossa terra

O medo e a escravidão.

Ñe’ẽjoapy



Ilustração: Janette Bornmarke
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Ejepokuaa resãi, iporã. Pratique saúde, é bom!

Guataha ára pukukue, hesãi omombukupyre. Caminhada todo dia, é saúde prolongada

Ko’ãga ne resãi haguã nderehéma oĩ. Eñangarekókena. Agora tua saúde depende de ti! Cuide-se!

Ore resãipánte. Estamos todos bem de saúde.

Rekove niko mba’eteéva. Neresãirõ erembovy’a nde re’ýikuéra ha avei oikovéva oĩ-vaguive. A vida é coisa muito boa. Tendo saúde tu alegras teu povo e a natureza.


Tesãi, ehasáke ne membýre ko rembirejakue. Saúde, passe para seu filho esta herança.

Ára pyahu


Heta vy’apavẽ ára pyahúre.
Muita felicidade a todos pelo Ano Novo.

15/12/2009

Ñe’ẽndy - Vocabulário


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Livro: ABC3D -  Marion Batille & Roaring Book Press



Ñe’ẽndy - Vocabulário -  http://guaraniportugues.blogspot.com/
- Arandupy: estudos realizados.
- Arange: data
- Kuatiarandu: Título, Certificado.
- Kuatiaryru: pasta, capa de objetos.
- Kyguái: vírgula
- Kyndýi: sinal de exclamação
- Kyta iguýpe: ponto parágrafo.
- Kyta paha: ponto final.
- Kyta porandu: sinal de interrogação
- Kyta soso: reticência
- Kyta syry: ponto seguido.
- Kyta: ponto.
- Kytaguái: ponto e vírgula
- Kytakõi: dois ponto.
- Mandu’apy: memorando.
- Marandu: noticia, informe.
- Mávapa nde: dados pessoais.
- Mávapa ohai: remetente.
- Mávapepa ojehai: destinatário.
- Mba’apoha réra: cabeçalho, título, rótulo, lema.
- Mba’ejerujehai mba’aporã: solicitação de emprego.
- Mba’ejerure: solicitação.
- Mba’épa oje’éva: Conteúdo, texto.
- Mba’erãpa: Assunto.
- Moõpa remba’apova’ekue: experiência profissional.
- Motenondehára: Diretor.
- Muanduhe pu’atã: acento tônico.
Muanduhe tĩgua: acento nasal.
- Muanduhe: acento.
- Pumbyry: Telefone.
- Rokái: parêntesis.
- Tai: letra.
- Tekove arandupy: currículum vitae.
- Tekove ndekuaava: Referencia profissional.
- Tekove ndekuaáva: referências pessoais.
- Teraguapy: assinatura.

04/12/2009

Jopara - Jehe’a



Jopara - jehe’a
Capucine Boidin
Texto completo em PDF no link:
http://nuevomundo.revues.org/index598.html

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“A mestiçagem das palavras, das plantas e dos corpos no Paraguai. A palavra para usa-se para referir-se a um cobertor que tem várias cores, ou a uma ccobra com manchas pretas e vermelhas. Em todos os usos, a palavra para, descreve justaposição de cores. Sendo assim, parece que a palavra para é descritiva, enquanto que a palavra jopara, atualmente, adqiriu uma conotação preconceituosa. Podemos perguntar se sempre foi assim, se sempre teve essa conotação depreciativa. Para verificar este propósito pesquisamos o El Tesoro de la lengua guaraní, de Montoya, Madrid, 1639, p. 262 v. Transcrição com ortografia atualizada.»

Estes são os significados originais da palavra para:


Para - variedade.

Ao para - vestido colorido.

Mba’e jopara areko - tenho várias coisas.

Avapara - homem pintado.

Ava ojoparámo hikóni - estão misturando os homens.

Ñe’ẽ jopara - razões ou pensamentos diversos.

Teko jopara - vários modos de viver.
Marandu jopara - várias notícias.
Ambojopara ava kuña rehe - misturar homens com mulheres.

Oñembojopara ojoehe - misturar um com os outros.

Ambojopara yguavo - comer vários manjares.

Ymarangatu jopara ahẽ (aña) - fulano, às vezes é bom e às vezes não.

Yñate’ỹ heko jopara - O preguiçoso faz tudo várias vezes.

Ko yvýpe ojoparapara oĩna teko roryteko asy rehe - estão misturando contentes e trabalhos nesta terra.

Amombara - extrair, pôr, colocar.

Amombara yjapovo - entremeter obras.

Oremombara orererahávo - extarimos e levamos.

Ambopara ykuatiávo - colorir, usar várias cores.

Cheatĩmbara - sou grisalho.

Kavajupara - cavalo de árias cores.

Paragua - coroa de penas variadas.

Jopara - comida de milho e feijão, feita, quase sempre, no primeiro dia do mês de outubro, para espantar a a miséria e pobreza.
(MONTOYA;1639: 263)
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01/12/2009





Flor da guavira
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Ñe’ẽnga: Mborayhu - Provérbios: Amor

Ñe’ẽnga, dichos populares paraguayos, Domingo Aguilera

Abreviação: C/P = Correspondente em português


Mborayhu ha kuarahy’ã ováva voínte.

Tradução literal: É normal que o amor e as sombras mudem de lugar.

C/P: O amor é inconstante como as sombras são mutantes.


Mborayhu ha’ajevy ha locro ka’arúgui nderejedescuidái va’erã.

Tradução literal: Cuidado com canjica velha e amor requentado.

C/P: Amor recaído e comida amanhecida causam mal na entrada e na saída.

Amor reconciliado, nunca bom bocado.


Jahayhu porãvako ndaideféktoi.

Tradução literal: Os que muito amamos não têm defeitos.

C/P: Defeito de amigo, lamento, mas não castigo.

La amor ningo oĩ óllape.Tradução literal: O amor está na panela. Literalmente: “O amor, quem diria, está na panela”.

C/P: – O caminho do coração passa pelo estômago.

Estômago e coração, quase só uma coisa são.


La mendángo peteĩ loteria.
Tradução literal: O casamento é uma loteria.
C/P: Casamento é sorte grande.


Mandi’o potĩ jepe ja’u ha javy’a, jajuayhúma guive.

Tradução literal: Para os que se amam, até a mandioca é temperada. Literalmente: ”Se nos amamos, mesmo comendo apenas mandioca cozida seremos felizes”.

C/P: O que é por gosto é regalo da vida.


Mborayhu ha kuarahy ñañandu’ỹre ñanderapy.
Tradução literal: Amor e sol nos queimam sem percebermos.

C/P: Quem anda cego de amor, não sabe se é noite ou dia.


Menda ha Pombéro na’entéropei osẽ.

Tradução literal: O casamento não convém a todos e nem o Pombero a todos aparece.

C/P: Casamento e assombração servem e aparecem para alguns, para outros, não.


Mombyry guivéko jajuayhuve.

Tradução literal: De longe nós amamos mais.

C/P: De longe, também se ama.


Ndaipóri kuña nderayhu aréva’erã ndesogue mantérõ.

Tradução literal: Amor de mulher se cansa se o dinheiro demora.

C/P: Quando o dinheiro acaba, o amor sai pela janela.






23/11/2009

Ka'a - Erva-mate



FOTO: Leonildo Piovesan

KA’A



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Peteĩ áraje Ñande Ru ou, tujamíramo, yvy ape ári oguatávo. Ikane’õmarõ oheka peteĩ ogami opytu’u haguã.

Dizem que uma vez Nosso Pai veio, já estava velhinho, passear na terra. Já estava muito cansado e procurou uma casinha para descansar.

Ohohápe mavave ndoipe’ái ichupe hóga rokẽ. Maymávante oñembotavypa ichugui. Ipahaitépe, oguahẽ peteĩ tujami rógape.

Ao chegar ninguém lhe abriu a porta da casa. Todos só o enganava. Por fim, chegou a casa de um velhinho.

Ogajára ombohasa ichupe hógape. Ome’ẽ ichupe y ha tembi’u, ha okemi haguã avei ome’ẽ ichupe. Upe tujami oikoje itajýra ndive, ha mokõive rasa oñangareko porã Ñande Ru rehe.

O dono da casa convidou-o a entrar. Deu-lhe água e comida e também cama para ele dormir. Dizem que esse velhinho com sua filha, cuidaram muito bem de Nosso Pai.

Ohecharamógui tujami ha tajýra reko marangatu, Ñande Ru ojevy rire yvágape omoheñoiukáje tujami róga korapýpe, peteĩ ka’avo pyahu avave ndoikuaáiva.

Prque viu que o velhinho e sua filha eram pessoas boas, Nosso Pai, depois de voltar ao céu, fez nascer no quintal da casa do velhinho, uma planta nova que ninguém conhecia.

Upei oguahẽkuri tujami rendápe Ñande Ru remimbou; ombo’eva’ekue tujami ha tajýrape mba’eichaitépa ojepuru’arã upe ka’avo pyahu, hérava ka’a, opytava’ekue mokõivéva poguýpe.

Depois chegou ao lado do velhinho, Nosso Pai, ensinou ao velhinho e sua filha como usar aquela planta nova, chamada erva-mate, que ficou sob a guarda dos dois.

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03/11/2009

Tete - Corpo Humano/ Dicionário Guarani / Português

http://guaraniportugues.blogspot.com/Partes do corpo humano.





O Pensador, Rodin

 Barba. Tendyva. (osc. T H R).
 Boca. Juru.
 Bochecha. Tova, tova ike, tatypy (osc. T H R).
 Braço. Jyva.
 Cabeça. Akã.
 Cabelo. Akãrague.
 Calcanhar. Pyta.
 Canela. Kupy.
 Cara. Tova (osc. T H R).
 Carne. To’o (osc. T H R).
 Cintura. Ku’a.
 Coração. Ñe’a, korasõ.
 Corpo. Tete (osc. T H R).
 Costas. Atukupe.
 Cotovelo. Jyvanga.
 Dedo da mão. Kua.
 Dedo do pé. Pysã.
 Dente. Tai (osc. T H R).
 Estômago. Py’a.
 Garganta. Ahy’o.
 Joelho. Penarã.
 Lábio. Tembe (osc. T H R).
 Lágrima. Tesay (osc. T H R).
 Língua. Kũ.
 Mão. Po.
 Maxilar. Tañyka (osc. T H R).
 Munheca. Pyapy.
 Nariz. Tĩ.
 Olho. Tesa (osc. T H R).
 Ombro. Ati’y.
 Orelha. Nambi.
 Osso. Kangue.
 Ouvido. Apysa.
 Paladar. Apekũ.
 Pálpebra. Topepi (osc. T H R).
 Pantorrilha, barriga da per-na. Tetymaro’o (osc. T H R).
 Pé. Py.
 Peito, tórax. Pyti’a.
 Pele. Pire.
 Pelo. Tague (osc. T H R).
 Perna. Tetyma (osc. T H R).
 Pescoço. Ajúra.
 Pestana. Topea (osc. T H R).
 Quadril. Tumby (osc. T H R).
 Saliva. Tendy (osc. T H R).
 Sangue. Tuguy (osc. T H R).
 Seio, teta, ubre. Káma.
Sobrancelha. Tyvyta.
 Testa. Syva.
 Tripas, intestino. Tyekue (osc. T H R).
 Umbigo. Puru’a.
 Unha da mão. Pyãpe.
 Unha do pé. Pysãpe.
 Urina. Ty.

Dicionário Guarani/ Português

28/10/2009

Jagua Ha Ha’anga O cachorro e sua imagem

Jagua Ha Ha’anga


Ndojekuaái Ijahohare Autor desconhecido
Conto em Guarani/avañe'ë


Peteĩ jagua ogueraha ijurúpe so’o pehẽngue guasu.
‘Iporãitépa! He’i ijúpe guarã. Arahata che rógape ha’u haguã che aikuaháicha.

Um cachorro levava na boca um pedaço grande de carne.

‘ É muito bom! Diz para si mesmo. Vou levá-lo a minha casa para comê-lo como sei.’

Hápe rupi ohasa peteĩ ysyry. Pe y morotĩ hesakãme ohecha sapy’a jagua ha’anga. Ha’e ha’e oimo’ã ambue jagua oguerekóva avei so’o pehẽngue, tuicháva ijurúpe.
No caminho passa um rio. Nas águas claras, de repente, o cachorro vê sua imagem. Ele pensa que é outro cachorro que também leva um pedaço grande de carne na boca.
Iñembyahyrekógui, ojejurupe’a ha oity iso’o pehẽngue ogueraha va´ekue ijurúpe, ojapyhy haguãpe so’o oguerekóva ambue jagua.

De tão esfomeado, abriu a boca e largou a carne que levava na boca para apanhar a carne que levava o outro cachorro.

So´o oñapymirõ jepe huguaite peve pe ysyrýpe. Ndojuhúi ambue jagua. Ipahápe ohechakuaa iñembuahyirekógui okañyhague ichugui iso’o pehẽngue.

Ao afundar a carne, foi até o fundo do rio. Ele não encontrou o outro cachorro. Afinal percebeu que sua gula pegou dele seu pedaço de carne.

Moñe’epyrã: Yporave peteĩ guyra ñande pópe ha ani heta ovevéva amo yvate rupi.

Conselho: É melhor um pássaro na mão que muitos voando no alto.

25/10/2009

Sermones y exemplos en lengua guarani


http://guaraniportugues.blogspot.com/Kuatia Income Curt Nimuendaju: http://biblio.etnolinguistica.org/novidades



Curt's Nimuendaju http://guaraniportugues.blogspot.com/

Kuatia - Sermones en lengua y examples guaraní

Book - Sermons and examples in the Guarani language.


Kuatia apoha / Author: Yapuguay, Nicolas - 1953 [1727])Y Sermones en lengua guarani examples

Haiha Rekove rehegua / Biography - Author of two books known (sic) and printed the Missions (y Sermones en Lengua Guarani Examples and Explicacion del Catechism). And religious works written in collaboration with the Jesuit Paul Restivo.
Paul's words in introducing Restivo Explicacion del Catechism: "Muy conocida y superior a lo que puede know Indio en un es la capacidad de eses Nicolas Yapuguai, cacique y musico de Santa Maria y con razon muy alabada su composicion por la propiedad y claridad y con elegancia explained that fortunately, aun en cosas touching a Dios, que en otros indios no es tan facil hallarlo (...)".

Araka’e /Quando? - Publicada originalmente em 1727. Fac-similar de 1953.

Mamópa/ Onde? - Impresso na aldeia de São Francisco Javier (hoje território argentino). Impressão digital: acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju
Temime’ẽ /contribuição - Waldemar Ferreira Netto, USP.






Ñe’ẽ - He'ise - Palavra - Significados

Ñe’ẽ/Palavra - verbetesdo Dicionário: Ñe’ẽryru: Avañe’ẽ-Portuge / Portuge-Avañe’ẽ


Dicionário: Guarani-Português / Português-Guarani


Ñe’ẽ(1) - (subst.) língua, idioma, palavra, verbo, dicção, vocábulo, conversação, linguagem, idioma, refrão, canto dos pássaros e voz de alguns animais.


 Mba’épa reikuaa ñane ñe’ẽ Guaranígui. O que sabes da nossa língua Guarani?


 Ñe’ẽ aky. Palavra dita ternamente, palavra verde.


 Ñe’ẽimuanduheteĩva. Palavra monofônica.


 Ñe’ẽ imuanduheteĩva. Ha’e umi ñe’ẽ oguerekóva ipýpe peteĩ pu’ae atã, hai tẽra pureko. Palavra monotônica. Palavra que em sua composição tem uma só vogal tônica, gráfica ou fonética.


 Ñe’ẽ imuanduhe’etáva. Palavra politônica.


 Ñe’ẽ imuanduhe’etáva. Ha’e umi ñe’ẽ oguerekóva ipýpe mokõi tẽra hetave pu’ae atã, hai tẽra pureko. Palavras politônicas. São palavras que em sua composição têm duas ou mais vogais tônicas, isto é, com acentuação gráfica ou fonética.


 Ñe’ẽjoapy. Eco, fenômeno físico observado como a repetição de um som.


 Ñe’ẽkatu’ỹ, ñe’engu. Mudez, mudo.


 Ñe’ẽ kyhyje. Palavra dita com medo.


 Ñe’ẽ kyra. Palavra gorda, a mentira.


 Ñe’ẽ marãne’y. Palavra sem mal, palavra primordial.


 Ñe’ẽme. Verbalmente.


 Ñe’ẽ mokõiha. A segunda língua.


 Ñe’ẽ monde. Vestir a palavra.


 Ñe’ẽmbo’e atýpe guarã, ñe’ẽtee ha’e pe ikatúva ojapo porãve ko’ã mba’e. Para um grupo lingüístico, a língua verdadeira é a que pode cumprir melhor tais funções.


 Ñe’ẽ ndo’y. Gaguejo.


 Ñe’ẽñemy. Segredo.


 Ñe’ẽngatu. Boa palavra.


 Ñe’ẽngu. Tartamudo, comer as palavras.


 Ñe’ẽ oñemboapyka. Quando alguém aprende o modo de ser dos Caiuá(s), ou quando uma mulher está grávida.


 Ñe’ẽ piru. Palavra magra, piada, pilhéria.


 Ñe’ẽ poromokañy. Palavra usada perturbar, aturdir.


 Ñe’ẽ pyvoi. Falar de forma tumultuada.


 Ñe’ẽ rovaícha. Palavra dita de frente, palavra que responde.


 Ñe’ẽ sa’i. Palavra alegre, dita com os olhos apequenados.


 Ñe’ẽ syry. Palavra que sai com facilidade.


 Oĩva guive ñe’ẽ imba’eguasu ha ojeipuru marandu, py’andu, ojejapo haguã tembipuru pyahu, oje’e haguã oñeñandúva, ño-mongetarã jeikovaihápe, taha’e ha’éva tekove réra oñe’ẽva. Todas as línguas são importantes e servem para comunicarmos, para pensar, criar novas ferramentas, expressar sentimentos, resolver conflitos através do diálogo, não importando o número de pessoas que as falem.


 Peteĩ ñe’ẽ ndojepurúiva opa hendápe ha opa mba’erã, ndoguerekóiva valor ekonómiko oñe’ẽvape, omanóne katuete. Uma língua não usada, em todos os lugares e para todas as coisas e que não tenha valor econômico para seus falantes, com certeza morrerá.


(a)Ñe’ẽ(2) - (vb.) falar, expressar-se, comunicar-se, conversar, empregar um idioma ou língua.


 Ani reñe’ẽ reitei. Não fales disparates.


 Añe’ẽkuaa. Saber falar bem.


 Cherejami, che haitéma ta ñe’ẽ. Com licença, é minha vez de falar.


 He’i háicha ku ñe’ẽnga. Como fala o refrão.


 Noñe’ẽ porãi, noñe’ẽvéima. Não fala bem, já não fala.







12/10/2009

MARAVICHU - ADIVINHAS

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MARAVICHU - ADIVINHAS


*Maravichu tirados do livro:
Folkore Paraguayo, Domingo Aguilera
Servilibro, Asunción, Paraguay.

Maravichu, maravichu, mba’émotepa: oñesũva hapykuévo. (Ryguasu
O que é o que é: que se ajoelha para trás? (Galinha)

Maravichu, maravichu, mba’émotepa: tía, tía, he’íva ysýpe. (Ryguasura
O que é o que é? Tia, tia (o piu, piu) diz para sua mãe. (Pintinho)

Maravichu, maravichu, mba’émotepa: kora morotĩme vaka pytã’i (Tãi ha k
O que é o que é? Curral branco e vaca vermelha. (Dentes e língua)

Maravichu, maravichu, mba’émotepa: hakua, ikua ha ombokuáva. (Ju)
O que é o que é? É pontuda, tem buraco e fura. (Agulha)

Maravichu, maravichu, mba’émotepa: hevipicha’ĩ jovái ha hye pygua. (kyha
O que é o que é? Tem rabo em cada ponta e barriga para baixo. (Rede)

Maravichu, maravichu, mba’émotepa: ipire guýpe hague; hague guýpe hesa; hesa guýpe ikangue ha ikangue guýpe iñapytu’ũ. (Avati)
O que é o que é? Embaixo da pele, pelo; embaixo do pelo olhos; embaixo dos olhos, ossos; embaixo dos ossos, cérebro. (Milho)

Maravichu, maravichu, mba’émotepa: ñu hovy mbytépe kesu pehẽngue. (Jasy)
O que é o que é? No meio de um campo azul, um pedaço de queijo? (Lua)

Maravichu, maravichu, mba’émotepa: pyharekue oñemombáy ha ko’ẽ, okẽ. (Okẽ tranka
O que é o que é? Durante a noite fica parada e de dia dorme. (Tranca de porta)

Maravichu, maravichu, mba’émotepa: pyhare ipuru’a ha árape imemby. (Óga)
O que é o que é? De noite se engravida e de dia se esvazia. (Casa)

Maravichu, maravichu, mba’émotepa: mbytépe iperõ ijyképe hague. (Tape)
O que é o que é? Pelado no meio e peludo dos lados. (Caminho, estrada)

Maravichu, maravichu, mba’émotepa: peteĩ kuñataĩ sa’yju oike kotýpe ha osẽ hova pytã. (Chipa)
O que é o que é? Uma mulher pálida entra em um quarto e sai corada. (Chipa, espécie de pão de queijo)

Maravichu, maravichu, mba’émotepa: nda’ipepói ha oveve huguái, ha ndaha’ei guyra (pandorga)
O que é o que é? Não em asas, mas voa, tem rabo, mas não é pássaro. (Pandorga)

09/10/2009

Ñe’ẽpoty - Poesia.



“A pine tree crashes in the storm

while sparrows cheep loud.” Michael McClure

"Yvyra kuri oñembota árapochýpe

upeaja masakaragua'i opurahéi puku."

03/10/2009

Ypakarai mandu’a - Recuerdos de Ypakarai



Ypakarai mandu’a

Zulema de Mirkin e Demetrio Ortiz

Versão em Guarani - María Esperanza Ortiz Maidana

I

Peteĩ Pyhare Ñasaindy porãme/

Ypakaraípe jajokuaa/

Purahéi pyasy heñói Che ñe’ãme/

Ñane mborayhu mandu’ahárã./

II

Neñe’ẽ yvoty purahéi asýpe/

Chemopirĩmba pe neñe’ẽkunu’õ/

Ha upe pyhare ñasãindy porãme/

Nde jyva kyrỹi mortĩasyete/
Añandu oñu’ã ko Che mborayhu./

III

Mamopa reime kuñataĩmi/

Ahenduséte ku nde purahéi/

Mamopa che ama reime ko’ágã/

Rohechase.../

Ypakarai rovy’ũ satĩ/

Oime ohesape nera’angámi /

Recuerdos de Ypacaraí


Una noche tibia nos conocimos
Junto al lago azul de Ypacaraí

Tu cantabas triste por el camino

Viejas melodías en guaraní

Y con el embrujo de tus canciones

Iba renaciendo tu amor en mí

Y en la noche hermosa de plenilunio

De tu blanca mano sentí el calor

Que con sus caricias me dio el amor

Dónde estás ahora, kuñataĩ

Que tu suave canto no llega a mí

Dónde está ahora

Mi ser te adora con frenesí

Todo te recuerda mi dulce amor

Junto al lago azul de Ypacaraí

Todo te recuerda

Mi amor te llama kuñataĩ


Lago azul de Ypakarai


Uma noite linda nos conhecemo

Junto ao lago azul de Ypacaraí

Tu cantavas triste pelo caminho
Velhas melodias em guarani
E no embalo doce dessas canções

Ia renascendo o amor em mim

E na noite cheia de encantamentos

De tuas mãos suaves, senti o calor

E em mil carícias se fez o amor

II

Onde estás agora, kuñataĩ

Que teu doce canto não chega a mim

Onde estás agora, minha alma espera

Com frenesi...

Tudo me recorda o nosso amor

Junto ao lago azul de Ypacaraí

Tudo te recorda, meu amor te chama,

kuñataĩ.



23/09/2009

Arayvoty - Primavera

ayvoty porãite remimbíva,/ Formosa Primavera que cintila,
Ha yvy ári mbegue rehasa;/ E passas devagar sobre a terra;

Ha’eténte ku yvoty heñoi pyahúva,/ Igual a uma flor que renasce,

Rohechávo hory, che ñe’ã. / Ao ver-te, meu coração fica feliz.


21/09/2009

Rejaposépa peteï furoshiki vosa. Queres fazer uma pochete de furushiki?

Furushiki, Japan ñe'ẽ, ha'e peteĩ to pehengue.
Ko to pehengue ikatu jaiporu apakua haguã oimeraẽva mba'e.
Furushiki is a piece of fabric.
can use to wrap anything.

18/09/2009

Poeminha do Contra - Ñe’ẽpoty michĩmi ambue

Poeminha do Contra - Ñe’ẽpoty michĩmi ambue
Mario Quintana/Prosa e Verso, 1978 "Todos esses que aí estão / Maymáva umi oimeha upépe Atravancando meu caminho, /Oikytĩ hína che rape Eles passarão... Ha’e ohasa va’erã Eu passarinho! Che guyramichĩ!"

14/09/2009

Ñe’ẽpoty rysýi joja - Rimas de Gustavo Becquer

Rimas de Gustavo Becquer Tradução para o Guarani: Félix de Guarania
I
Che aikuaa peteĩ purahéi iporãva Che ñe’ã pyharépe oguerúva ko’ẽ marandu, Ha ko’ãva ha’e heseguáva. Purahéi pytũháre oipysóva yvytu. Hi’aitévaku chéve ajapo kuatiáre, Aipyahávo che kũre ijeróva ñe’ẽ. Arapýre toho purahéi ñeporãva, Mborayhu, kunũ’u henỹhéva ipype. Ha rei añorairõ, marõve indikatúíva, Añandúgui ikangy, imboriahu che ñe’ẽ. Ikatúmo, che pópe nde po mokõivéva. Mbeguekatumi nde apysápe ha’e. I Eu sei um hino gigante e estranho Que anuncia na noite da alma uma aurora, E estas páginas são desse hino Cadências que o ar dilata nas sombras. Eu quisera escrevê-lo, do homem Domando o rebelde, mesquinho idioma, Com palavras que fossem a um tempo Suspiros e risos, cores e notas. Mas vão é lutar; que não há cifra Capaz de encerrá-lo, e apenas, oh formosa!, Se, tomando em minhas mãos as tuas,
Pudesse, ao ouvido, cantar-te-o a sós.

30/08/2009

Aguara kerampipu

Ka’aru pytũ peteĩmeje Ka’i oñatõi mbaraka hína ha Ñati’ũ opurahéi po’i vai oikóvo ijerére. Ka’i iñakãraku ha osẽsema okeramombáy kuñatãinguérape mbarakapu ha opurahéi joyvýpe. Upe jave oguahẽ Aguara, ohendu Ka’ípe ha pya’ete oñekuave’ẽ opurahéi haguã. Ao escurecer, uma tarde, o Macaco tocava o violão e o Pernilongo cantava com sua voz fina, em seu redor. O Macaco se entusiasmou e já quis sair para acordar as moças, com o duo de música e canto. Enquanto isso, chegou o Guará e escutou o Macaco e logo se ofereceu para cantar. -Nde niko, nde juruguasu eterei ha ndeahy’oturu vai avei, ndaikatumo’ãi reho orendive o ombotove Ka’i. - Repurahéi vaiete nde, nderehomo’ãi mante ore ndive, he’i Ñati’ũ. Aguara itĩndymi, opoko ijurukue tujáre. Ka’i oiporiahuverekoite gua’u ichupe, osapymi popy’ỹi py’ỹi ha oñekuave’ẽ ichupe: - Ñambovyvy po’i porãna ndéve nde juru rehose eterei ramo ore ndive. - Tu tens a boca muito grande e tua garganta soa muito ruim, não podes ir conosco, negou o Macaco. - Cantas muito mal e não vamos deixar que nos acompanhe, disse o Mosquito. -O Guará ficou triste e tocou sua velha bocarra. Finalmente, parece que o Macaco teve pena do Guará e com uma olhadela detalhada ofereceu-lhe: - Vamos coser-te a boca para fazê-la mais fina, se tanto queres ir conosco. -Na katu, ombohovái oñe’e ári ka’ípe. Aguara oñeno. ombojeko iñakã Ka’i retyma ári ha Ñati’ũ ipojáima ju ha inimbóre ha pya’e pya’e ombovyvymane ra’e Aguara juru. Heta hy’ái rire Ñati’ũ ohenduka Ka’ípe: - Ema’ẽmína, mba’éichapa opyta porãta ipytu mbarete reínte ko aña ra’y, omokachiãi nati’ũ. Bom, faça-a, respondeu em seguida o Guará. Deitou-se e apoiou sua cabeça na perna do Macaco, O Pernilongo conseguiu agulha e linha e rapidamente começou a coser a boca do Guará. Depois de suar muito o Pernilongo disse para o Macaco: - Olhe que bom ficará quando sopre este filho do diabo, brincou o Pernilongo. - Aníntena rehetũ ha embovyvy pya’eve jaha haguã voimi, ombohovái Ka’i. Oparire hembiapo ojogueraha hikuái, Ka’i mbarakaja ijyva guýpe. Aguara apére Ñati’ũ oturuñe’ẽ po’i ohóvo. Oñemoaguĩ ohóvo kuñatãi porã peteĩ rógagui ipirĩ sapy’a Aguara ha oporandu: Jaguápa ndaipóri chéne ko’árupi. -Deixa-te de brincadeiras, costures mais rápido para irmos de uma vez, respondeu o Macaco. Quando terminou seu trabalho puseram-se em marcha, o Macaco com o violão embaixo do braço e o Mosquito no lombo do Guará ia assobiando fino. Ao aproximarem-se da casa de uma moça linda, o Guará arrepiou-se e logo perguntou: - Não tem cachorro aqui? - Mba’e jagua katu piko ndekuaáta ndéve anína rejepy’apy. - Ndénteko ere upéva, ikatĩnguéko mombyry oñehetũ hína, he’i Ka’i. Upeichaháguinte javoráigui operere tataupa. Oñemohendýi Aguara, osapukái ha ojoropaite ijuru vyvypy. Oñemboja kuñatãi rovetãme ha Aguara ijahy’o turu vai jevýnte. - Que cachorro irá conhecer-te, não te preocupe. - Tu dizes isto, porque seu cheiro sente-se desde longe, disse o Macaco. Nesse momento, do mato, voou uma perdiz. O Guará se assustou, gritou e arrebentou a costura de sua boca. Depois se aproximou da janela da moça e sua garganta soou feia, outra vez.

26/08/2009

Kũjera - Trava-língua

Trava-língua é um tipo de jogo verbal que consiste em dizer, com clareza e rapidez, versos ou frases com grande concentração de sílabas difíceis de pronunciar, ou de sílabas formadas com os mesmos sons, mas em ordem diferente, como: no meio do trigo tinha três tigres. Nem sempre o significado é lógico. Guarani - = língua + Jera = desatar, soltar. · Yvyra piru ru’ãre yryvu perõ ra’y. No galho fino da árvore, filho careca do urubu. · Lekaja ojoka mbokaja, mbokaja ojoka lekaja. O velhinho quebra coco e o coco quebra o velhinho. · Tapiti porã pititi opo, opo ha hãimbiti. O coelhinho pintado salta, salta e mostra os dentes. · Apyka puku kupépe, aguapy apuka puku. Atrás do banco grande, sento e dou grandes risadas. · Ýpe operere ype, ype ýpe operere. Na água o pato mexe as asas, o pato mexe as asas na água. · Aiporu viru ajogua haguã kavaju piru. Peço dinheiro emprestado para comprar um cavalo magro.

24/08/2009

O kururu e os dichos populares ñe’ẽnga - Sapo no Ditado Popular.

O kururu e os dichos populares ñe’ẽnga - Sapo não Ditado Popular. Autor: David Galeano Olivera - dgo@paraway.net.py Tradução: Cecy Fernandes de ASSIS - cecyfernandes@yahoo.com Dados do autor: Presidente Diretor Geral do Ateneo de Lengua e Cultura Guaranis. Professor, Licenciado e Mestre em Língua e Cultura Guaranis. Docente universitário. Escritor bilíngüe. Tradutor público. O sapo kururu entre os Guarani(s) - León Cadogan, profundo conhecedor das tradições dos Guarani(s)- recopilou em sua obra Ayvu Rapyta o mito do kururu ou sapo. Foi o sapo, no principio da humanidade, o provedor do fogo, primeiro elemento facilitado aos moradores da terra. Na verdade, Ñande Ru Tenonde Nosso Primeiro Pai enviou seu filho Papa Mirĩ a terra. Este considerou que a primeira necessidade dos humanos seria o fogo. Com esse propósito pediu a seu mensageiro, Papa Mirĩ, um sapo, e que ele metesse-lhe na boca a maior quantidade de fogo. Este assim o fez e depositou o fogo em um galho de aju’yjoa variedade fofa de louro, empregado pelos Mbya Guarani(s) para produzir fogo por fricção. Em outra versão deste mito, kururu tratou de enganar a Papa Mirĩ, querendo guardar um pedacinho de brasa para seu próprio uso, por isso foi convertido em batráquio, tal qual o conhecemos hoje. Concretamente, do mito se deduz o valor que o kururu tem para os Guarani(s), já que foi um dos primeiros animais, de toda a criação, responsável, nada mais e nada menos, que o suprimento do fogo na terra.
Por esta razão é que o sapo goza de grande respeito entre os Guarani(s.) Ñe’ẽnga - Ditados © Kururu ra’ýnte oñembyasy, isygui naikámai. O filhote de sapo preocupa-se porque sua mãe não tem teta. © Ju’i opurahéi jave, okýta. Quando a rã canta é porque choverá. © Amangýpe kururu osẽva. Com a chuva o sapo costuma sair. © Aguapyhápevoi aju he’i kururu oñeme’ẽrõ chupe apyka oguapy haguã. Sentado eu vim, diz o sapo quando o convidam a sentar-se. © Amanova’erã che kapríchope, he’i kururu ohasárõ tapépe. Com meu capricho morrerei diz o sapo ao cruzar a estrada. © Péva ha’e che amombe, he’i kururu ohechárõ tractor. Isto é o que me arrebenta, diz o sapo quando olha o trator avançar sobre ele. © Péva tekove, he’i kururu ohórõ aviónpe. Esta é a vida, diz o sapo quando viaja não avião. © Péva ha’e che amombe, he’i kururu ohasárõ hi’ári rupi kamiõ. Isto é o que me arrebenta diz o sapo quando um caminhão passa sobre ele. © Igusto korócho, he’i kururu pirépe oñehe’ỹiva’ekue. Que bom! Diz quem se coça com o couro de sapo. © Iporãva ndaipo’ái he’i kururu osẽrõ tapépe. As pessoas belas como eu não têm sorte, diz o sapo ao atravessar uma estrada. © Kóvape ajokáta che rye he’i kururu ohechárõ kamiõ ilu rendy oúvo. Com estes rebentarei minha pança, diz o sapo quando de longe vê um caminhão vindo com as luzes acesas, pensando que se trata de insetos. © Jahápy ñambope he’i kururu osẽrõ tapépe. Vamos, pois, aplastar-nos, diz o sapo quando sai na estrada. © Mitã’i ipo’áva che, he’i kururu osẽrõ tapépe. Sou um moço com sorte, diz o sapo quando sai da estrada. © Nde jajúra! He’i kururu ha ha’e ndaijajúrai. Por teu pescoço! Diz o sapo, embora não tenha pescoço. © Kóva ivai he’i imemby kururúva. Este sim é feio! Diz quem teve um filho sapo. © Kururu rekakáicha hũ. É tão negro como merda de sapo. © Kururúicha hopepi ruru. Como o sapo tem as pálpebras inchadas. © Typychápe kururúicha oñemosẽ. Foi jogado como sapo, como o sapo é expulso com a vassoura. © Kuña ryeguy ro’ysã kururu. Mulher que tem o ventre frio como o do sapo. © Mitã rye chigua kururu petáka. Menino barrigudo, igual ao sapo. Kururu e os apelidos. © Kururu – Se diz de quem é petiço, gordo e de pescoço curto. © Kururu pelóta – Se diz de quem não tem uma figura esbelta e é baixinho. © Kururu pire – Se diz de quem tem a pele ou a cara granulosa e áspera. © Kururu rekaka – Se diz da pessoa morena ou de pele escura e petiça. O kururu e os alimentos O nome kururu por semelhança se aplica ao pão ou bolacha molhada em água e adoçada ligeiramente com açúcar ou mel. Do mesmo modo, diz-se da bolacha ou pão submergido em algum caldo ou sopa. Também se aplica essa denominação ao pão ou bolacha sumergida no leite ou café ou cocido (chá de erva mate com açúcar queimado). Nos três casos mencionados, o pão ou bolachas se incham como o sapo.

24/07/2009

4 haicais (俳句) de Djalma Stüttgen

Porta / Okẽ

Adiantado / Tenondepyre

O coração / Py’a (ñe’ã)

Aonde nasce a lua / Mamohápe Jasysẽ

Ali / Upépe

A minha também / Che (jasy) avei

Assim assim / Upéicha upéicha

Azul branca preta / hovy morotĩ hũ

Borboleta / Panambi

Sino / Taipu

Monge pára / Avaré opyta

Mosquito passa / Ñati’ũ ohasa