24/08/09

O kururu e os dichos populares ñe’ẽnga - Sapo no Ditado Popular.

O kururu e os dichos populares ñe’ẽnga - Sapo não Ditado Popular. Autor: David Galeano Olivera - dgo@paraway.net.py Tradução: Cecy Fernandes de ASSIS - cecyfernandes@yahoo.com Dados do autor: Presidente Diretor Geral do Ateneo de Lengua e Cultura Guaranis. Professor, Licenciado e Mestre em Língua e Cultura Guaranis. Docente universitário. Escritor bilíngüe. Tradutor público. O sapo kururu entre os Guarani(s) - León Cadogan, profundo conhecedor das tradições dos Guarani(s)- recopilou em sua obra Ayvu Rapyta o mito do kururu ou sapo. Foi o sapo, no principio da humanidade, o provedor do fogo, primeiro elemento facilitado aos moradores da terra. Na verdade, Ñande Ru Tenonde Nosso Primeiro Pai enviou seu filho Papa Mirĩ a terra. Este considerou que a primeira necessidade dos humanos seria o fogo. Com esse propósito pediu a seu mensageiro, Papa Mirĩ, um sapo, e que ele metesse-lhe na boca a maior quantidade de fogo. Este assim o fez e depositou o fogo em um galho de aju’yjoa variedade fofa de louro, empregado pelos Mbya Guarani(s) para produzir fogo por fricção. Em outra versão deste mito, kururu tratou de enganar a Papa Mirĩ, querendo guardar um pedacinho de brasa para seu próprio uso, por isso foi convertido em batráquio, tal qual o conhecemos hoje. Concretamente, do mito se deduz o valor que o kururu tem para os Guarani(s), já que foi um dos primeiros animais, de toda a criação, responsável, nada mais e nada menos, que o suprimento do fogo na terra.
Por esta razão é que o sapo goza de grande respeito entre os Guarani(s.) Ñe’ẽnga - Ditados © Kururu ra’ýnte oñembyasy, isygui naikámai. O filhote de sapo preocupa-se porque sua mãe não tem teta. © Ju’i opurahéi jave, okýta. Quando a rã canta é porque choverá. © Amangýpe kururu osẽva. Com a chuva o sapo costuma sair. © Aguapyhápevoi aju he’i kururu oñeme’ẽrõ chupe apyka oguapy haguã. Sentado eu vim, diz o sapo quando o convidam a sentar-se. © Amanova’erã che kapríchope, he’i kururu ohasárõ tapépe. Com meu capricho morrerei diz o sapo ao cruzar a estrada. © Péva ha’e che amombe, he’i kururu ohechárõ tractor. Isto é o que me arrebenta, diz o sapo quando olha o trator avançar sobre ele. © Péva tekove, he’i kururu ohórõ aviónpe. Esta é a vida, diz o sapo quando viaja não avião. © Péva ha’e che amombe, he’i kururu ohasárõ hi’ári rupi kamiõ. Isto é o que me arrebenta diz o sapo quando um caminhão passa sobre ele. © Igusto korócho, he’i kururu pirépe oñehe’ỹiva’ekue. Que bom! Diz quem se coça com o couro de sapo. © Iporãva ndaipo’ái he’i kururu osẽrõ tapépe. As pessoas belas como eu não têm sorte, diz o sapo ao atravessar uma estrada. © Kóvape ajokáta che rye he’i kururu ohechárõ kamiõ ilu rendy oúvo. Com estes rebentarei minha pança, diz o sapo quando de longe vê um caminhão vindo com as luzes acesas, pensando que se trata de insetos. © Jahápy ñambope he’i kururu osẽrõ tapépe. Vamos, pois, aplastar-nos, diz o sapo quando sai na estrada. © Mitã’i ipo’áva che, he’i kururu osẽrõ tapépe. Sou um moço com sorte, diz o sapo quando sai da estrada. © Nde jajúra! He’i kururu ha ha’e ndaijajúrai. Por teu pescoço! Diz o sapo, embora não tenha pescoço. © Kóva ivai he’i imemby kururúva. Este sim é feio! Diz quem teve um filho sapo. © Kururu rekakáicha hũ. É tão negro como merda de sapo. © Kururúicha hopepi ruru. Como o sapo tem as pálpebras inchadas. © Typychápe kururúicha oñemosẽ. Foi jogado como sapo, como o sapo é expulso com a vassoura. © Kuña ryeguy ro’ysã kururu. Mulher que tem o ventre frio como o do sapo. © Mitã rye chigua kururu petáka. Menino barrigudo, igual ao sapo. Kururu e os apelidos. © Kururu – Se diz de quem é petiço, gordo e de pescoço curto. © Kururu pelóta – Se diz de quem não tem uma figura esbelta e é baixinho. © Kururu pire – Se diz de quem tem a pele ou a cara granulosa e áspera. © Kururu rekaka – Se diz da pessoa morena ou de pele escura e petiça. O kururu e os alimentos O nome kururu por semelhança se aplica ao pão ou bolacha molhada em água e adoçada ligeiramente com açúcar ou mel. Do mesmo modo, diz-se da bolacha ou pão submergido em algum caldo ou sopa. Também se aplica essa denominação ao pão ou bolacha sumergida no leite ou café ou cocido (chá de erva mate com açúcar queimado). Nos três casos mencionados, o pão ou bolachas se incham como o sapo.

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