01/11/10

Prometeo rehegua jevy – Algo mais sobre Prometeu



 Ta'anga: BABUREN, Dirck van. Prometeu sendo acorrentado por Vulcano.
Óleo sobre tela, 202×184 cm. Amsterdam: Rijksmuseum, 1623.


Prometeo rehegua jevy – Algo mais sobre Prometeu
Javier Viveros, Paraguay, Apokuaaha informátiko ha kuatia apoha / Engenheiro informático e escritor.

Hesíodo niko hembiapo heta ha hembiapo pohýi tapia, upéicha rupi omombe'u michĩmínte upe titan (titã) joheipyre rembiasakue.
Eram tantos os trabalhos de Hesíodo e sempre tão pesados seus dias que pode narrar apenas uma parte da historia do mais honrado dos titãs.
Omonda haguére umi yvateguágui tata, Zeus osẽ he'i oñenkadena (oñeñapytĩ) haguã Prometeope Káukaso Yvytýpe, tove upépe ko'ẽreíre to'u ichugui hi'ígado (imby'a) peteĩ taguato.
Hi'ígado (imby'a) ningo arakuépe okakuaa jevy ha ko'ẽmbamívonte ojevyjevýma upe taguato ombojahúvo titan (titã) ruguýpe iñakã morotĩ.
    Por roubar o fogo dos deuses, Zeus ordenou que acorrentassem Prometeu ao Monte Cáucaso, e que uma águia devorasse seu fígado a cada manhã.
Seu fígado crescia, outra vez, durante o dia e com a alvorada voltava a águia a se ensopar de sangue titânico a imperial e branca plumagem de seu cabeça.
Mba'e nda'ijojahávainte ako ipíko (iguyratĩ) akuaite asy omondoro ypýramo guare Prometeo pire ha ho'u ichugui hi'ígado (imby'a). Hetereíntemako upéva upe ígado (mby'a). Umi osẽpyahu jevy va'ekue ndohupytyvéima ígado (mby'a) ypykuépe.
    A primeira vez que seu poderoso bico rompeu a pele de Prometeu e comeu seu fígado foi a melhor. Definitivamente. O fígado mais puro e delicioso. Muito superior aos renascidos.
Upe taguatópe avei Zeus rovatavy olalávonte(?) oikóva oumi okatiga (ohavira), ndajeko hembiapo vai avei ra'e. Jeko orambosa va'erã ra'e titan (titã) ígadokuégui (mby'akuégui), péro ndohechaukái ho'uheha, oñesenti nipo hína ra'e upérõ.
    Esta águia também havia sido castigada pelo colérico e irritável Zeus, por algum peccata minuta. Devia tirar o jejum com o fígado do titã, mas não comia com prazer, era sua penitência.
    Aremi rire, taguato oúma ohechakuaa, ho'u jave hína, umi ígado (mby'a) osẽpyahu jeýva. Lunekuegua (Arateĩkuegua) iro, ojejapo rehe peichapéichante, tovapukúpe.
Com o tempo, a águia aprendeu a identificar, pelo sabor, os fígados que se formavam. (O fígado) das segundas feiras era amargo, construído com magia displicente.
Martekuegua (Arapokõikuegua) katu ipiru ikã ha hyakuã yvy.
(Os fígados) das terças-feiras eram secos e tinham gosto de terra.
Miérkole (arapy) ha xuevekuegua (arapokuegua) katu Prometeo oñeha'ãmbaite ha oikuave'ẽ peteĩ ígado (mby'a) ikyra ha hykue tuguy asýva, píkore (guyratĩre) oja haguéntema hetereivoi.
Nas quartas e quintas, Prometeu se esmerava e servia um fígado gorduroso e sanguinolento, de sabor muito amistoso para com o bico da águia.
Umi ambue árape katu osẽ umi hígado ivai ha ndahéi koróchova.
Nos outros dias saiam fígados ruins e não tinham sabor ou de sabor áspero.
    Prometeo ha taguato ou upéichape ojepokuaa ojuehe ha oñontendéma (oñekuuáma) voi avei, ha'ekuéra ohechakuaáma oñekondena jojaha ipy'ajerévo ko'ẽreíre.
Prometeu e a águia haviam acostumado-se um ao outro, entendiam também que estavam condenados a repetir essa cena ad nauseum.
Peteĩ pyharevépe taguato he'i titanpe (titãme) orákulo he'ihague Hérkules oguenohẽtaha itasã poguýgui Prometeope. Ombovy'a ichupe upéva, hi'ígado ndovy'áiva upeichaite peve.
Uma manhã a águia disse ao o titã que o oráculo anunciava que Hércules iria libertá-lo de suas correntes. Prometeualegrou-se, seu fígado nunca esteve melhor.
––Reikuaápa Hérkules ––ko'ẽreíre oporandu, higado'ỹ (imby'a) rehevema.
–– Sabes algo de Hércules? –– perguntava cada manhã, já sem o fígado.
Ahendu oikoha hikóni hembiapo kintohárema (pohárema), oikóje upérupi omopotĩ kora, he'íjepi sapy'apy'a upe taguato.     
Ouvi que anda pelo seu quinto trabalho, está por ai limpando estábulos, dizia a águia algumas vezes.
Oikóje ojuka guyra, he'íma katu sapy'ánte taguato ha upéi okirirĩ ha hesáre ojekuaa ovy'aha, oikuaa rehe iñaguimaha upe ára mokõivéva isãsóvo Heracles rehe ae.
Anda matando pássaros, dizia a águia em outras ocasiões e logo calava e em seus olhos percebia-se um sentimento ambíguo, porque sabia que já se aproximava o dia que ambos seriam libertados por Hércules.
Prometeo hasypeve ojehekýita itasã kakuaaitégui ha taguato retére ovandéata peteĩ hu'y ombovótava mbytépe hekove péro (ha katu) ombopahátava upe katígo (havira) vaiete.
Prometeu seria liberado de suas correntes e a águia receberia em seu corpo uma flechada que acabaria a sua vida, mas acabaria de vez com o infame castigo.

Hesíodo - Poeta da Grécia Antiga. Nasceu, viveu e faleceu em Ascra, no fim do século VIII a.C..
Prometeu (etim. = antevisão) Acorrentado – É uma tragédia grega. Faz parte da trilogia composta pelas tragédias: Prometeu acorrentado, Prometeu libertado e Prometeu portador do fogo. Destas foi a única que permaneceu. A história foi teatralizada pela primeira vez por Ésquilo no século V a.C. Chamava-se Prometheus desmotes (Prometeu Agrilhoado/Acorrentado).
Prometeu rouba o fogo divino para dá-lo aos homens. Como castigo a Prometeu, Zeus ordenou a Hefesto que o acorrentasse no cume do monte Cáucaso. Ali, todos os dias, uma águia dilacerava seu fígado que, todos os dias, regenerava-se. Esse castigo devia durar 30.000 anos.
Para os mortais, o castigo foi menor. Foi determinada a criação de um ser à imagem e semelhança das deusas imortais que dará um presente em nome dos olímpicos aos mortais. Epimeteu, irmão de Prometeu, recebe o presente. Ao abri-lo, deixa escapar todas as maldades do mundo. Consegui reter apenas a esperança.



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